Ana Sender

  • Ilustradora

Chorei pela primeira vez há quarenta anos, numa cidade da periferia de Barcelona.

Passado algum tempo esqueci-me de como se chorava e como se falava. Do que me lembrava era de como se desenhava, de modo que desenhava as palavras que não me saíam e as lágrimas e os gritos que tinha engolido. E também sóis, bruxas, casas, princesas e macacos.

Isso foi há muito tempo e agora só me esqueço de falar às vezes e aprendi a chorar de muitas maneiras diferentes. Até inventei algumas novas como, por exemplo, a fazer o pino.

Um dia, descobri que podia ir a uma escola para aprender a ser ilustradora e atirei-me de cabeça. Acho que era uma escola mágica.

Continuo, portanto, a desenhar e agora também o faço para ganhar a vida.

Comecei por desenhar padrões para estampar em tecidos, mas agora o que mais faço é ilustrar contos e, às vezes, até me atrevo a escrevê-los.

Também desenho para chorar, quando as lágrimas não me saem, ou para falar, quando não encontro as palavras. Muitíssimas vezes faço-o para brincar.

Gosto imenso quando a casa se inunda e é preciso improvisar barcos com os móveis.

(biografia de PORQUE CHORAMOS?)

 

Nasci em 1978 numa cidade chamada Terrassa, na periferia de Barcelona.

Tenho sorte de me dedicar a ilustrar e a escrever histórias há bastantes anos.

O que pouca gente sabe é que também sou uma grande colecionadora de medos. Tenho um medo vermelho e brilhante como o sangue fresco; outro é grande, escuro e viscoso; também tenho um tão pequeno como um grão de arroz e outro que sabe assobiar. Uma vez tive um medo que era parecido comigo, mas com os olhos maiores. Também tive um medo em forma de ovo preto, pesado e frágil, como o que desenhei neste conto.

Desenhar quase nunca me dá medo e é das coisas de que mais gosto no mundo. Outras coisas de que gosto são bosques, partilhar histórias, a minha filha Ariadna, javalis e quando consigo fazer algo, mesmo que me assuste.

Se pudesse, passaria a vida na água.

(biografia de PORQUE TEMOS MEDO?)

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